Surto de hantavírus em navio acende alerta internacional, mas Brasil descarta risco imediato

Imagem jornalística sobre surto de hantavírus ligado ao navio MV Hondius, com embarcação em destaque, profissionais de vigilância em saúde, mapa de rota internacional e elementos de alerta sanitário.
OMS monitora casos de hantavírus associados ao navio MV Hondius, enquanto autoridades reforçam medidas de quarentena e vigilância sanitária.

Casos ligados ao cruzeiro MV Hondius são investigados pela OMS; Ministério da Saúde afirma que ocorrências no Brasil não têm relação com o episódio internacional.

Um surto de hantavírus associado ao navio de cruzeiro MV Hondius colocou autoridades sanitárias internacionais em alerta após passageiros apresentarem quadros graves de doença respiratória. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o episódio foi comunicado em 2 de maio de 2026, depois da identificação de um grupo de pessoas com sintomas severos a bordo da embarcação, que transportava passageiros e tripulantes de diferentes países. Até 8 de maio, a OMS contabilizava oito casos, sendo seis confirmados em laboratório, além de três mortes. Os exames apontaram a presença do vírus Andes, uma variante do hantavírus conhecida por circular em regiões da Argentina e do Chile.

Apesar da preocupação, a OMS avaliou que o risco para a população global permanece baixo, embora o risco para passageiros e tripulantes do navio seja considerado moderado. A embarcação chegou ao porto de Roterdã, na Holanda, nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026, onde os últimos ocupantes foram colocados em quarentena e o navio passou por processo de desinfecção. De acordo com a Reuters, o surto deixou três mortos entre dez casos confirmados ou prováveis, e autoridades europeias mantêm o monitoramento de pessoas que tiveram contato com os infectados.

No Brasil, o Ministério da Saúde informou que o surto internacional não representa risco direto para o país até o momento. A pasta destacou que os casos confirmados em território brasileiro não têm relação com o cruzeiro monitorado pela OMS. Em 2026, até a atualização divulgada pelo ministério, o Brasil registrava sete casos confirmados e um óbito por hantavirose, enquanto em 2025 foram contabilizados 35 casos e 15 mortes. O governo também informou que não há registro da circulação do genótipo Andes no Brasil, variante associada ao episódio raro de transmissão entre pessoas observado na Argentina e no Chile.

A hantavirose é uma zoonose viral aguda transmitida principalmente pela inalação de partículas contaminadas presentes na urina, fezes e saliva de roedores silvestres infectados. No Brasil, a doença costuma se manifestar como Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus, podendo comprometer pulmões e coração, especialmente em casos graves. O Ministério da Saúde reforça que a notificação da doença deve ser imediata, em até 24 horas, devido ao potencial de evolução rápida do quadro clínico.

Embora o caso do navio tenha gerado repercussão internacional, especialistas e autoridades sanitárias ressaltam que a situação não deve ser comparada a uma pandemia. A transmissão mais comum do hantavírus ocorre por contato indireto com ambientes contaminados por roedores, especialmente em áreas rurais, depósitos, galpões, lavouras e locais fechados com pouca ventilação. A transmissão de pessoa para pessoa é considerada rara e está associada principalmente ao vírus Andes, que não circula no Brasil segundo o Ministério da Saúde.

O alerta, porém, serve como reforço para medidas de prevenção. A recomendação é evitar varrer locais fechados e empoeirados sem umedecer o ambiente antes, manter alimentos bem armazenados, eliminar possíveis abrigos de roedores e usar equipamentos de proteção em atividades de limpeza de áreas rurais ou locais com sinais de infestação. Para quem apresentar febre, dores no corpo, falta de ar, dor abdominal ou sintomas respiratórios após exposição a ambientes com presença de roedores, a orientação é procurar atendimento médico e informar o histórico de contato ambiental.

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