PEC da Segurança Pública propõe referendo para decidir redução da maioridade penal

Brasília — A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, em análise na Câmara dos Deputados, ganhou um ponto de forte debate político ao incluir a previsão de um referendo nacional em 2028 para consultar a população sobre a possibilidade de reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes violentos e de grave ameaça. A medida está sendo discutida no âmbito da reforma constitucional que busca reorganizar o sistema de segurança pública no país.

O relator da PEC, deputado Mendonça Filho (União-PE), apresentou um parecer ampliado que, além de fortalecer as competências da Polícia Federal e outras forças de segurança, incorpora a ideia de submeter à consulta popular a eventual redução da idade penal para adolescentes envolvidos em crimes graves e em atividades de facções criminosas. A proposta é que o referendo ocorra de forma simultânea às eleições municipais de 2028, dando aos eleitores a chance de opinar diretamente sobre o tema.

Segundo defensores da iniciativa, a inclusão do referendo tem dois objetivos principais: ampliar a participação popular na definição de uma questão sensível à segurança pública e evitar que o Congresso Nacional decida sozinho sobre uma mudança que altera princípios fundamentais do sistema penal e da proteção dos direitos da infância e adolescência. A ideia é permitir que a população colabore na orientação de uma decisão que, se aprovada, representaria uma mudança profunda no estatuto jurídico dos adolescentes no Brasil.

A PEC da Segurança Pública, além do referendo, abrange outras áreas estruturais, como a criação de sistemas integrados de política penal, maior cooperação entre União e estados e fortalecimento de mecanismos de combate ao crime organizado. O texto também propõe fontes de financiamento estáveis para políticas de segurança, com o intuito de dar continuidade às ações de prevenção e repressão.

A iniciativa já gerou amplo debate. Para muitos parlamentares e setores da sociedade, levar a questão da maioridade penal a referendo é uma forma democrática de enfrentar um tema que historicamente provoca forte comoção pública. Para outros, no entanto, a redução da maioridade penal suscita preocupações sobre os direitos constitucionais garantidos a adolescentes e os efeitos sociais de endurecer as normas penais contra jovens em desenvolvimento.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Justiça têm enfatizado a importância de reestruturar a segurança pública como um todo, e a inclusão do referendo no texto da PEC reflete a tentativa de equilibrar medidas de endurecimento com a participação da sociedade no debate democrático. A votação do relatório na comissão especial deve ocorrer em breve, e, se aprovada, a proposta seguirá para apreciação no plenário da Câmara.

Especialistas em segurança e direito penal alertam que, além da decisão sobre a idade penal, o debate deverá considerar aspectos como o impacto sobre o sistema socioeducativo, políticas de prevenção e a eficácia de medidas punitivas no enfrentamento à violência urbana. A expectativa é que o tema se torne um dos mais discutidos na agenda legislativa e na sociedade brasileira nos próximos anos.

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