Bolsa reage com apoio externo, enquanto curva de DI e incerteza macro mantêm o mercado em modo defensivo
O Ibovespa encerrou o pregão desta quinta-feira (18/12/2025) em alta de 0,38%, aos 157.923,34 pontos, recuperando parte das perdas recentes, em um dia de melhora no sentimento global e recomposição técnica de posições. O índice oscilou entre 157.123,58 e 158.495,49, com giro financeiro de cerca de R$ 26,3 bilhões.
Apesar do fechamento positivo, o “pano de fundo” doméstico — dólar em patamar alto e juros futuros elevados — segue funcionando como freio para uma alta mais consistente.
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Dólar hoje: fechamento estável perto de R$ 5,52 e pressão eleitoral no radar
No câmbio, o dólar à vista fechou praticamente estável, em R$ 5,5237 (+0,01%), após um pregão volátil. A leitura predominante no mercado foi de reprecificação de risco doméstico, com atenção redobrada ao noticiário político e ao tema Eleições 2026, além do ambiente externo.
Por que isso importa para a Bolsa?
Um dólar mais forte tende a:
- manter pressão sobre expectativas de inflação (via preços e repasse),
- reforçar prêmios na curva de juros,
- reduzir apetite por risco em ações domésticas mais sensíveis a juros.
Juros futuros (DI): curva segue alta e “prêmio de risco” continua no preço
A curva de juros terminou o dia ainda com níveis elevados, apesar de ter perdido força em parte do pregão após a interpretação de falas do Banco Central como mais flexíveis/data-driven.
No fim da tarde, o DI jan/2027 estava em 13,845%, acima do ajuste anterior (13,83%), e o DI jan/2035 marcava 13,735%.
Leitura prática para o investidor:
Juros futuros altos significam que o mercado continua exigindo prêmio para carregar risco Brasil — o que costuma pesar em:
- varejo, construção e empresas alavancadas,
- ações de crescimento (valuation mais dependente de desconto de fluxo),
- e no próprio ritmo de recuperação do Ibovespa.
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Cenário macro: Selic em 15% e BC evita “sinalização” para cortes
No macro, a sinalização do Banco Central segue sendo de cautela. Reportagens destacaram que a autoridade monetária mantém a postura dependente de dados e evita compromisso antecipado com um ciclo de cortes, em meio ao esforço para trazer a inflação para a meta.
Esse quadro explica por que o mercado pode até “respirar” em dias de alívio externo, mas ainda encontra dificuldade para transformar repiques em tendência: o custo do dinheiro segue alto e a curva precifica riscos.
Análise técnica do Ibovespa (gráfico diário): repique sob resistência, com juros e dólar como “vento contra”
Com base no gráfico diário (WING26), o pregão fechou com reação compradora, mas o preço ainda trabalha em uma faixa onde a tendência de curtíssimo prazo precisa ser confirmada.
Resistência técnica e resistência macro caminham juntas
- 162.400–163.500: região relevante por concentrar resistência e a média móvel (resistência dinâmica).
- Enquanto dólar e DI permanecerem pressionados, tende a ser mais difícil “romper e sustentar” acima dessas faixas.
Suportes que o mercado não pode perder (curto prazo)
- 160.600–160.500
- 159.100–158.700
- 157.700 (nível estrutural observado no fluxo)
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O que observar no próximo pregão
1) Dólar: mantém acima de R$ 5,50?
Se permanecer firme, reforça o “modo defensivo” e pode limitar a alta da Bolsa.
2) Curva de DI: alivia ou volta a inclinar?
A inclinação e o nível do DI seguem como o principal termômetro do risco doméstico.
2) Curva de DI: alivia ou volta a inclinar?
A inclinação e o nível do DI seguem como o principal termômetro do risco doméstico.
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