Congresso aprova Orçamento de 2026 de R$ 6,5 trilhões, amplia emendas e prevê superávit fiscal

O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (C), destacou a importância da unidade entre Câmara e Senado
O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (C), destacou a importância da unidade entre Câmara e Senado. Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Texto segue para sanção e define gastos com emendas, salário mínimo, investimentos e Fundo Eleitoral

O Congresso Nacional aprovou nesta sexta-feira (19), em sessão conjunta, o Orçamento da União de 2026 (PLN 15/2025), com previsão de R$ 6,5 trilhões em despesas totais e cerca de R$ 61 bilhões destinados a emendas parlamentares. A proposta estima ainda um superávit primário de R$ 34,5 bilhões e segue agora para sanção presidencial.

A votação ocorreu após aprovação do relatório final pela Comissão Mista de Orçamento (CMO) e encerrou os trabalhos legislativos do ano no Congresso.


Como fica o Orçamento de 2026 aprovado pelo Congresso

Do total previsto, R$ 1,8 trilhão será destinado ao refinanciamento da dívida pública. Sem considerar essa despesa, o Orçamento soma R$ 4,7 trilhões, distribuídos entre gastos obrigatórios, investimentos e políticas públicas.

Distribuição das despesas (valores aproximados)

  • Pessoal e encargos sociais: R$ 489,5 bilhões
  • Juros e encargos da dívida: R$ 643,9 bilhões
  • Outras despesas correntes: R$ 2,6 trilhões
  • Investimentos: R$ 79,7 bilhões
  • Amortização da dívida: R$ 2,2 trilhões
  • Reserva de contingência: R$ 36,5 bilhões

Precatórios fora do cálculo ampliam margem fiscal

A retirada das despesas com precatórios do cálculo fiscal, autorizada pela Emenda Constitucional 136, abriu uma margem fiscal de R$ 13,8 bilhões. Segundo o relator, Isnaldo Bulhões Jr., esse espaço foi usado principalmente para acomodar emendas parlamentares, apoiado por uma reestimativa de receitas de R$ 13,2 bilhões.


Emendas parlamentares somam R$ 61 bilhões em 2026

O Orçamento reserva cerca de R$ 61 bilhões para emendas, distribuídos entre:

  • R$ 37,8 bilhões em emendas impositivas (pagamento obrigatório)
    • R$ 26,6 bilhões individuais
    • R$ 11,2 bilhões de bancada
  • R$ 12,1 bilhões em emendas de comissão (liberação depende do Executivo)
  • R$ 11,1 bilhões incorporados à programação dos ministérios

No total, foram apresentadas 7.180 emendas parlamentares durante a tramitação do Orçamento.


Salário mínimo e Fundo Eleitoral ganham destaque

O texto confirma o salário mínimo de R$ 1.621 em 2026, reajuste de 6,68% sobre o valor atual. O novo piso passa a valer a partir de janeiro, com pagamento em fevereiro, impactando diretamente benefícios como INSS, seguro-desemprego, BPC e abono salarial.

Outro ponto sensível é a previsão de R$ 5 bilhões para o Fundo Eleitoral, valor superior ao inicialmente defendido pela equipe econômica, que estimava cerca de R$ 1 bilhão.


Investimentos e prioridades do governo em 2026

O piso de investimentos foi fixado em R$ 83 bilhões, equivalente a 0,6% do PIB, estimado em R$ 13,8 trilhões para 2026. A prioridade será o Novo PAC, que enfrenta restrições orçamentárias e paralisações de obras.


Saúde, pessoal e expansão de gastos obrigatórios

A área da saúde contará com R$ 254,9 bilhões, valor R$ 7,4 bilhões acima do mínimo constitucional. Já a despesa com pessoal crescerá R$ 11,4 bilhões, sendo:

  • R$ 7,1 bilhões para reajustes e vantagens;
  • R$ 4,3 bilhões para o provimento de 47.871 cargos e funções.

Mudanças entre o projeto original e o texto final

Alguns ministérios tiveram aumento expressivo de recursos:

  • Integração e Desenvolvimento Regional: +108% (R$ 6,1 bi → R$ 12,7 bi)
  • Turismo: +100%
  • Esporte: +118%

Já a Previdência Social teve redução de cerca de R$ 6 bilhões.


Leitura política e econômica do Orçamento

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, destacou o esforço de unidade entre Câmara e Senado. O presidente da CMO, Efraim Filho, classificou a aprovação como um consenso nacional.

Para o mercado financeiro, a aprovação do Orçamento reduz incertezas institucionais e garante previsibilidade para o início de 2026. No entanto, o alto volume de emendas, o crescimento das despesas obrigatórias e o Fundo Eleitoral robusto seguem no radar de risco fiscal.


FAQ – Orçamento de 2026 (SEO)

O Congresso já aprovou o Orçamento de 2026?

Sim. O Orçamento foi aprovado em sessão conjunta do Congresso Nacional e segue para sanção presidencial.

Qual o valor total do Orçamento de 2026?

O Orçamento prevê R$ 6,5 trilhões em despesas totais, incluindo refinanciamento da dívida.

Quanto foi reservado para emendas parlamentares?

Cerca de R$ 61 bilhões, sendo R$ 37,8 bilhões em emendas impositivas.

Qual será o salário mínimo em 2026?

O salário mínimo será de R$ 1.621, com reajuste de 6,68%.

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